abril 10, 2006

Mummy...

Eu poderia deixar pra falar de maternidade no dia das mães ou no dia dos filhos, mas eis que a condição de uma conhecida me fez refletir:

Sobre a Maternidade

Uma das coisas mais interessantes que já ouvi sobre a maternidade é a tese de que ninguém se torna mãe por acidente. Supõe-se que a vontade de contrair uma cria repousa no inconsciente da mulher e quando é disparada não tem o que a impeça, nem se o momento é não é o mais propício. O que leva a crer que não haveria porque condicionar o ideal de maternidade ao da formação de uma família.
A beleza de se pensar que dar a luz (e tudo o mais que vem depois) como uma escolha da mulher, mesmo que ela própria não a perceba ou a reconheça assim, é também enxergar de maneira mais clara como se dá o poderoso vínculo que se constitui entre mãe e filhos. É um vínculo mais do que bem vindo, tal como construir uma casa sem pensar em dividir em cômodos e dar liberdade para o inquilino estar em todos os lugares que deseja. Trata-se de não entender fronteiras para limitar a acolhida de um ser, que é diferente da mãe mesmo sem deixar de ser uma extensão dela mesma. Diferente do amor banal entre os seres humanos, sempre arqueado com um quê pecuniário, de troca. “Se tu me amas, eu te amo, do contrário, não te amarei também”. Nesse escambo todo o tipo de sentimento vem no pacote promocional – amizade, confiança, paixão, cumplicidade etc. – desde que haja o recibo, o retorno. Parece que se está do amor materno como o verdadeiro amor cego. Talvez porque ele realmente não seja acidental, ao contrário do resto. Então muitas verdades se dissipam no caminho. O filho que viria para completar a felicidade de uma família em formação, vem mais para o lazer da mãe, para sua realização. Educar uma criança acaba virando tarefa primordial para ela: incutir no filho valores, mesmo que não sejam transformados depois, ensinar a sonhar, a andar, a perder e maturar as perdas, a ser bom independente de ter ou não religião, a cooperar, a vivenciar a observação e observar a vivência.
Sendo assim, meninas se tornam mães, mulheres se tornam mães e meninas se tornam mulheres. Os cuidados maternos demandam um amadurecimento fluido e dinâmico, às vezes até abrupto. É fato que o cérebro da mulher modifica e também seus referenciais cognitivos, a percepção, a sensibilidade e a memória numa progressão mais do que natural. Ser mãe também é arte, trabalho e aperfeiçoamento pessoal. Então podem surgir perguntas de como esse amor pode parecer desfeito quando a mãe assume o papel da agressora ou da desertora. É que tal como qualquer vontade, a de ser mãe pode ter um fim. De maneira traumática, o poderoso vínculo nem é rompido, porém acaba desvirtuado da linha original e mais comum. Seria o lado feio da “moeda”. Aliás, é o que de mais feio pode se opor ao amor único e presencial de mãe. Amor que grande parte de nós temos independente da forma como retribuímos, se retribuímos. Qualquer migalha já é muito. :)

Suzie não sabe, mas pode estar com medo porque sua mamãe não está aqui para ajudá-la a superar essa

3 Comentários:

Blogger Doda Vilhena. disse...

Messias Jardan está fazendo trabalhos freelancer para o seu blog?

4/11/2006  
Anonymous Anônimo disse...

a moeda ter um outro lado, só me faz ainda crer na teoria de que mãe é um bicho mais comportamental do que instintivo...

4/11/2006  
Blogger natalia brabo disse...

Messias Jardan é onipresente. Tentei esconder, não dar créditos, mas não teve jeito.

4/11/2006  

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